2º Fórum do Projeto Ouro Branco 2030 evidencia oportunidades e alavanca parcerias para o desenvolvimento da cidade

2º Fórum do Projeto Ouro Branco 2030 evidencia oportunidades e alavanca parcerias para o desenvolvimento da cidade

 

Organizado de maneira colaborativa e com a ajuda de muitos voluntários, o 2º Fórum do Projeto Ouro Branco 2030 contou com a presença de vários palestrantes, autoridades, cidadãs e cidadãos do município. Quem passou por lá teve a oportunidade de debater em profundidade alguns dos principais desafios e oportunidades vivenciados pelo município.

Ficou muito claro o quanto o município e a região subaproveitam suas atrações. O Lago Soledade, a Serra e a área rural da cidade precisam de um olhar mais cuidadoso da população e do Poder Público. São oportunidades para lazer e para geração de renda que estão sendo bem pouco exploradas.

Ricardo Hellmeister lembrou que antigamente o Lago Soledade fazia parte do dia-a-dia da cidade. Hoje, poucos sabem as razões efetivas pelas quais o Lago Soledade não é melhor aproveitado. Além disso, segundo a vereadora Nilma, é preciso que a população reflita se não é hora de colocar o turismo como prioridade: “Infelizmente, isso nunca foi tratado assim entre os diversos grupos da cidade.” Para Pedro Chaves, essa realidade precisa mudar, e isso começa na reformulação da educação. O aluno precisa conhecer, de fato, a história e os atrativos da região.

Outra oportunidade foi apresentada pela painelista representante do Senac. Segundo Carla Barbosa, a instituição ainda é muito pouco demandada em relação a sua principal expertise de capacitação: recepção e hospitalidade. dscf7251Um trabalho conjunto, inclusive, poderia ser feito com a Associação do Circuito de Vilas e Fazendas. Para Sidnéia, gestora da Associação, é possível ampliar a circulação de renda na região, por meio da estruturação dos produtos turísticos e da melhor divulgação da região. Essa também é a visão da gestora do Parque da Serra de Ouro Branco, Letícia Dornelas. No caso da Serra, a mesma ainda deixou claro que a regularização fundiária completa é um passo essencial para que o Poder Público possa investir na estruturação dessa atração.

 

Educação, empreendedorismo e universidades

Outro tema bastante debatido no fórum foram as oportunidades trazidas pela instalação do IFMG e da UFSJ na cidade. Tanto o Pró-reitor substituto do IFMG, Pablo Menezes, como o Diretor do Campus Ouro Branco, Lawrence de Andrade, foram enfáticos ao colocar a instituição à disposição da cidade. Os professores do Instituto, Pedro Xavier e Juliane Ribeiro, mostraram inclusive que esse trabalho já começou, ao apresentar a necessidade de o conhecimento acadêmico se aproximar mais do mercado local, bem como a forma em que  ensino do empreendedorismo social vem sendo aplicado na instituição.

A UFSJ também marcou presença no evento. A Equip Consultoria, empresa júnior da instituição, apresentou a importância do movimento empresa júnior, destacando ainda o fato de ofertarem serviços de qualidade, supervisionado por professores, por preços bem mais acessíveis que o mercado. Além disso, a Equip demonstrou na prática seu compromisso com o desenvolvimento local ao apoiar de maneira integral a realização do fórum.

Os professores da UFSJ, Eduardo Sarquis, Kelly Dozinel e Ricardo Toledo, propiciaram também um rico debate sobre os desafios da educação pública local. Ficou muito clara a necessidade de se estimular a autonomia do professor na construção de suas práticas pedagógicas. Para tanto, será preciso aprimorar também as condições de trabalho e criar mecanismos para que o tempo de planejamento das aulas seja suficiente e estimulante. Hoje, segundo a presidente do Sindicato dos Servidores, Kátia Stelamares, a  sensação é que até a reprodução de cópias é restrita. Sem recursos e estímulos condizentes, fica limitada a possibilidade de o professor inovar em sua prática pedagógica.dscf7245-1

– O professor não pode ser visto como um domador de alunos – complementou Carolina Marini, coordenadora da Rede Fab Lab Brasil, que aproveitou para deixar claro que o foco deve estar nas pessoas, mesmo em espaços nos quais a tecnologia está muito presente. Sobre isso, vale destacar o projeto apresentado pela Prof. Kelly, que objetiva aproximar as mulheres do mundo da ciência e tecnologia. É assustador a quantidade de obstáculos que colocamos no imaginário das crianças e que acabam por afastar as mulheres da tecnologia.

Em relação ao papel da comunidade, Renato Orozco, da ONG Nossa Cidade, mencionou que é preciso mobilizar a sociedade para levantar recursos alternativos para a educação. Nos dizeres de  Kleber Gestera, da assessoria da Secretaria do Estado da Educação, é possível ir além: educar uma criança deve ser entendido como trabalho de toda a comunidade. Os índios têm essa perspectiva, assim como países avançados tecnologicamente como Israel.

A coordenadora do Projeto Vem Ser, Geralda Socorro, mostrou que já vem buscando atuar conforme esses princípios. Além de mobilizar recursos e voluntários junto à comunidade, a busca pela inovação das práticas pedagógicas é uma constante na instituição.

Ficaram ainda as lições da Professora Terezinha Augusta, ao mostrar  que o aprendizado coletivo, como método de gestão escolar, é essencial para o desenvolvimento da comunidade escolar. Conforme a mesma, é preciso lembrar o que dizia Paulo Freire: “A prática de pensar a prática é a melhor forma de aprender a pensar certo”.

 

Cidades Colaborativas e Bem Geridas

Cirlene Ribeiro, Anderson Silva e Renato Orozco ressaltaram o poder do associativismo e do comprometimento. A primeira mostrou como a comunidade do Bairro São Francisco se organizou para superar as dificuldades existentes na região. Seu brilho nos olhos, ao lado dos de sua parceira Cida Santos, demonstram que onde os outros veem obstáculos, elas veem oportunidades de colaboração. Da mesma forma, o servidor Anderson destacou a importância da criação da Associação dos Feirantes para explicar o sucesso da Feirinha na avenida. Hoje, além de um espaço de lazer, a Feirinha possibilita benefícios expressivos para pequenos agricultores e empreendedores locais. Para que isso ocorresse, houve a necessidade de se superar uma cultura de dependência da prefeitura, em favor de uma cultura de parceria.

dscf7395

Para disseminarmos tal cultura, Bruno Magalhães, gestor estadual, mostrou a necessidade de compreendermos melhor as condições em que se dão a maioria dos processos de mudança bem sucedidos. Neles, o processo de implementação é interativo e adaptativo, além de envolver muita aprendizagem dos diversos atores envolvidos. Ou seja, quando as soluções já vem muito prontas, a possibilidade de insucesso é alta. Isso porque elas não costumam tratar devidamente das mudanças culturais necessárias, nem criam um ambiente favorável para que os atores superem os desconfortos advindos das novas atitudes que eles precisam empreender.

Atento a esse aprendizado, André Rafael, cofundador do Projeto Brasil 2030, apresentou um dos projetos prioritários desse movimento: a Semana Nacional do Serviço Público. Segundo o mesmo, é preciso construir novos caminhos para que a sociedade e os servidores participem da vida pública. O primeiro passo é deixar claro para a sociedade que mais de 50% das receitas municipais são destinadas à folha de pagamento. Se não cuidamos bem da gestão do pessoal do serviço público, o que era para ser um de nossos maiores patrimônios, torna-se um ralo sem fim de recursos.

A tecnologia também esteve presente no fórum. O professor Breno Silva, do IFMG/Campus Santa Luzia, surpreendeu a todos ao apresentar o protótipo do aplicativo Participa, o qual deve ter Ouro Branco com uma das suas cidades piloto. A partir dele, será possível conhecer melhor o ecossistema de cada cidade, registrar problemas e envolver a comunidade do IFMG na criação de soluções para a cidade. Dessa forma, diz ele, o Instituto estará muito mais conectado com a comunidade local.

Os dados apresentados por Matheus Moreira também deram o que falar. As ferramentas que ele trouxe, Fiscalize Agora e Diagnóstico Público, permitiram uma visão detalhada do estado das contas públicas municipais. Com dados na mão, ficará muito mais fácil para construirmos uma cidade referência. Essa é a expectativa compartilhada entre o Projeto Ouro Branco 2030 e o Conselho da Cidade, o qual esteve representado no fórum por sua presidente, Adriana Ramos.

Saúde: Desafios e oportunidades

Tiago Lopes, doutorando em saúde pública, evidenciou os desafios que estão por vir com as propostas de congelamento dos gastos federais com saúde. Em um contexto de envelhecimento da população e de redução da capacidade de a população arcar com gastos de plano de saúde, a redução dos recursos na saúde vai na contramão das necessidades imediatas da população.dscf7410

Guilherme Schulz, cidadão colaborador e co-fundador do Projeto Ouro Branco 2030, apresentou uma ferramenta para análise de indicadores de gestão da saúde. Muito elogiada pelos presentes, a ferramenta foi construída, sem custos, a partir de uma parceria desenvolvida entre o Projeto Ouro Branco 2030 e a Prefeitura Municipal.  

Geraldo Heleno, membro do Conselho Estadual de Saúde, também esteve presente no fórum.  De forma bastante inspiradora, explicou a importância da participação social para defesa e aperfeiçoamento do SUS.

Por fim, André Rafael apresentou o projeto Mais Educação, Mais Sáude. A partir dele, será possível capacitar a comunidade escolar para que ela ajude os profissionais da saúde a encontrarem novas soluções para a saúde pública.

 

Balanço Geral

A qualidade das apresentações e debates foi considerado o ponto alto do fórum. O evento também serviu para alavancar uma série de parcerias em prol da cidade. Agora, segundo André Rafael, é preciso envolver melhor a população nas próximas edições do evento. Mais de uma centena de pessoas circularam nos três dias de fórum e várias outras acompanharam em tempo real pela internet. Nossa ideia, afirma ele, é conectar o fórum ao festival de inverno da cidade. Queremos criar o Festival de Inverno e Cidadania, e fazer dele referência nacional.
Antes disso, é hora de agradecer, afirma Anne Karollyne, coorganizadora do evento. Muitos empresários, cidadãos e membros do Poder Público nos ajudaram muito, fazendo jus a um dos motes do projeto: da colaboração para o desenvolvimento.

 

Outros destaques do Fórumdscf7408

1) Rede Fab Lab apoiará estudo para implantação de um Espaço Maker e de um Fab Lab em Ouro Branco.

2) Início da consulta pública para implantação do projeto: Ouro Branco, Cidade Parque Shopping, a melhor cidade para se viver, visitar e comprar.

3)  1ª Exposição de Fotos do Grupo Belezas de Ouro Branco.

4) Início do Planejamento do ciclo 2017 do Projeto Ouro Branco 2030.

 

 

 

 

Compartilhe:

Deixe um comentário

Nome (obrigatório)
Email (obrigatório)
Comentar (obrigatório)

Você pode usar tags e atributos HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>